Mutirões
Trabalho coletivo pelo bem comum
O mutirão é uma forma de trabalho tradicional indígena: coletiviza a força e se opõe à lógica da economia competitiva. É voluntário, é gratuito, e o que se faz fica para o bem comum — quem é beneficiado hoje se solidariza para beneficiar outro depois.
Próximos mutirões · 1º e 3º domingo do mês, 10h
- domingo 20 set Próximo · 10h
- domingo 04 out
- domingo 18 out
- domingo 01 nov
- domingo 15 nov
- domingo 06 dez
O local de cada mutirão é confirmado no grupo de voluntários, porque os encontros rodam entre os territórios do bairro.
O que acontece num mutirão
Ninguém precisa saber plantar. O trabalho de um domingo é o manejo do sistema agroflorestal: podar para abrir luz, cobrir o solo com o que foi podado, plantar mudas e sementes, colher o que está pronto e tirar o lixo que chegou na semana. A regra de ouro do manejo é uma só, e o coletivo a repete: solo coberto, sempre.
Cada encontro deixa registro. Os relatórios de manejo que a AFU entrega à Prefeitura, pelo programa Adote Rio, listam o que foi podado, o que foi plantado e o que foi colhido — e é desse acervo que sai tudo o que esta página mostra.
A única regra a ser cumprida é a de solo coberto, sempre.
Por que agrofloresta, e por que na cidade
A agrofloresta é técnica de muitos povos indígenas para produção agrícola, e mantém e multiplica diversidades (PEREIRA et al., 2016). Ela vem ressurgindo comunitariamente em áreas urbanas do Brasil (MOÇO, 2023): protege e cria solo orgânico, diminui a temperatura, melhora a infiltração de água para o lençol freático, gera alimento e aumenta a diversidade de fauna e flora.
Num sistema diverso, o que se chama de praga é analista: aponta que há algo errado no cultivo. A observação atenta transforma esse aviso em eficiência de produção, em vez de veneno (ANDERSON et al., 1985).
Produzir alimento não é questão puramente técnica — é processo envolto por dimensões sociais, culturais, políticas e econômicas (CONWAY e BARBIER, 1990, apud MOÇO, 2023). Feita em comunidade e em espaço urbano, a agrofloresta traz integração social, troca de saberes, segurança alimentar e educação ambiental. É por isso que o mutirão não é só o meio de cuidar do canteiro: é parte do resultado.
Isso também é política pública. O Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP), instituído pela Portaria nº 467/2018 e coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, é interministerial e reconhece a produção de alimentos em territórios urbanos como caminho para enfrentar mazelas socioambientais e melhorar a qualidade de vida.
Registro
O que 2025 deixou no Zigue-Zague
Todo mutirão vira relatório de manejo entregue à Prefeitura. Estes números saem de lá — não são estimativa.
- encontros registrados
- 15
- de grama nos caminhos
- 22 m²
- espécies plantadas
- 20
- pessoas no maior mutirão
- 18
9 deles mutirões abertos de domingo
colocada em três etapas ao longo do ano
4 espécies colhidas no mesmo período
no domingo seguinte à obra dos canteiros
Plantadas em 2025 e perfiladas no levantamento
batata-doce maracujá limão gengibre cúrcuma inhame cana-do-brejo boldo espada-de-são-jorge
Como participar
- Quando acontece o mutirão?
- Todo 1º e 3º domingo do mês, a partir das 10h.
- Preciso pagar alguma coisa?
- Não. O mutirão é aberto e gratuito — é trabalho voluntário pelo bem comum.
- Preciso saber plantar?
- Não. A gente ensina no dia, e é isso que o mutirão é: troca de saberes com a mão na terra.
- Posso levar criança?
- Pode. Crianças do bairro já participaram dos mutirões, plantando hortaliças e regando os canteiros.
- O que devo levar?
- Roupa que possa sujar, garrafa de água e protetor solar. Se tiver ferramenta de jardim ou luva, traga.
- Onde é o encontro?
- Nos territórios da Urca. O local de cada mutirão é confirmado no grupo de voluntários — chame no WhatsApp para receber o próximo.
Referências
- FONTEL, Breno Brito. Agrofloresta urbana e comunitária. Trecho de trabalho acadêmico do autor, membro do Coletivo Agrofloresta da Urca. Fonte primária dos blocos conceituais desta página.
- EIDELWEIN, J.; SILVEIRA, R. O mutirão como forma de trabalho tradicional: coletivização da força de trabalho e laços de solidariedade comunitária, 2021.
- PEREIRA et al. Agrofloresta como técnica de povos indígenas para produção agrícola, 2016.
- MOÇO, M. Agrofloresta urbana e comunitária: experiência de revitalização de área verde abandonada em Bariri, São Paulo, 2023.
- ANDERSON et al. Diversidade e controle de pragas em sistemas agroflorestais, 1985.
- CONWAY, G.; BARBIER, E. After the Green Revolution, 1990. Citado por MOÇO (2023).
- BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP), instituído pela Portaria nº 467/2018. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
- Relatórios trimestrais de manejo do Zigue-Zague apresentados à Coordenadoria de Parques e Jardins da Prefeitura do Rio de Janeiro. Realização Renova Urca e Agrofloresta da Urca. Fonte de todos os registros de 2025 desta seção.